domingo, 29 de julho de 2007

Madri: a bem sucedida capital espanhola

Não é a minha cidade preferida. Perde longe para Barcelona. Não tem o charme mourisco de Sevilha. Nem o sol dos balneários da Costa da Luz. Mas é a capital da Espanha, o país europeu mais completo! (Lembrando que o meu diário de bordo está baseado na visão sentimental-apaixonada-holística-metafísica-e-pessoal da autora, euzinha!).
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Ainda que não seja tão charmosa quanto a capital da Andaluzia, nem tão psicodélica quanto a capital da Catalunha, dá para propor destinos lindos, trajetos que considero imperdíveis, lugares fascinantes, restaurantes charmosos, museus ultra-atraentes.
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Quase todo mundo que chega do Brasil à Espanha baixa, primeiro, em Madri. É a maior cidade do país. Possui dois dos principais museus da Europa, o Prado e o Reina Sofía. A realeza mora aqui. E o Rei Juan Carlos I, carismático que só ele, é amado pelos madrileños.
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Não posso dizer que é a mais festeira porque tem Barcelona, essa sim, insuperável no quesito diversão. Mas é de tirar o fôlego de qualquer adepto das raves mais badaladas do mundo. Para você ter uma idéia, há discotecas (e bares!) que fecham ao meio-dia do dia seguinte. Por que depois vem a siesta, o maior patrimônio zen-erudito-psicológico-cultural da Espanha.
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Os madrileños falam muito. Se você estiver vindo de um país, eu diria assim, mais contido como a Inglaterra, por exemplo, vai saber o que eu quero dizer. Enquanto que no metrô de Londres ninguém abre a boca e todo mundo fica concentrado no seu jornal, em Madri (e em muitos outros lugares da Espanha, afinal os madrileños são, antes de tudo, espanhóis!) eles não param de hablar um só minuto.

Já no primeiro dia na cidade ninguém escapa da Gran Vía. Se não for a principal é a mais conhecida rua de Madri. Está bem no centro, no coração da cidade. Sabe aquela frase batidinha “todos os caminhos levam a Roma”? Pois aqui, por onde quer que vá, você cai na Gran Vía. Ela une a Plaza de España com a Calle de Alacalá, mais El Paseo del Prado.

Andando um pouquinho mais está la Puerta del Sol, La Plaza Mayor e o Palacio Real, a casa do rei. Passear pela Gran Vía, conhecer seus personagens, seus pontos curiosos (uma da unidades do Museo del Jamón fica aqui) e sua arquitetura é o passeio mais madrileño e econômico que você pode fazer na cidade. Até onde eu sei caminhar sem rumo não paga nada.
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Você pode se arriscar, também, no Casco Viejo, o centro antigo da cidade. Ao contrário das grandes avenidas, o casco viejo é cheio de ruazinha e bequinho, numa desordem estrutural e urbanística que provocaria uma crise convulsiva no arquiteto Jaime Lerner. O legal aqui é se perder! Perguntar (mesmo que estiver com o mapa na mão) o caminho de volta. Ou a saída.

E depois tentar voltar e não conseguir. Quando você estiver passando pela terceira em vez em frente daquele mesmo predinho amarelo, pare e descanse em qualquer pastelería que tiver ao alcance dos seus olhos. Aos distraídos: pastelería – na Espanha – vende doce, não salgado.


O que você deve ver ou fazer, gastando pouco ou nada

Beliscar as tapas de presunto no Museo del Jamón. Quase sempre tem um pratinho com a iguaria para o turista provar.
Gran Vía, 72. Tel. 91 541 2023/24

Ficar zanzando pela Puerta del Sol. Em formato de lua, é a praça mais famosa da capital espanhola.
Puerta del Sol, s/n – metrô: Sol

Tomar uma caña na Plaza Mayor, que já foi palco de touradas, execuções, cortejos e julgamentos da Inquisição. É cheia de lojinhas de souvenirs, restaurantes bons e baratos e alguns tablados de flamenco
Plaza Mayor, s/n – metrô: Sol
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Visitar o Palacio Real, que apesar de não ser a residência oficial do Rei Juan Carlos I – que vive no bem mais modesto Palacio de la Zarzuela, nos arredores de Madri – é uma pomposa construção para mostrar a majestade e a ostentação da nobreza do século XVIII.
Calle de Bailén, s/n – metrô: Ópera ou Plaza de Espana

Perder-se no El Rastro, famoso mercado de pulgas de Madri. Não vai ter lugar mais exótico e econômico para comprar alguma tranqueira, badulaque ou até mesmo um objeto de arte por uma bagatela.
Calle de la Ribera de Curtidores, s/n - metrô: La Latina

Tirar uma foto na Puerta de Alcalá, o monumento mais elegante erguido por Carlos III. A construção, toda em granito, demorou nove anos para ficar pronta.
Plaza de la Independência, s/n – metrô: Retiro
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Fotos: Raul Mattar

Outros posts sobre Madri:

Madri em três horas, Guernica para sempre.

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7 comentários:

  1. Pohhh... Sacanagem!!!! Começar a segunda feira, assim... vendo Madrid...rsrsrs...
    Que nada!! Super legal... Gostoso de ver sob outros olhos!! Muito legal...

    ¡Es la leche, maja!

    Beijos e boa semana,
    Nair

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  2. Madri é a "dor e a delícia de ser o que é"..
    ÔôôÔ sôdadi...

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  3. Ah, que delícia!!!
    Adoro explorar a vida das cidades, grandes ou pequenas, ver os mercados, as praças, as pessoas, descobrir pequenos detalhes e manias que ninguém percebeu antes...na minha loucura, fico achando que até o ar é diferente(afff!).
    Nunca estive na Europa, mas ano que vem vou pra lá, se Deus quiser e se eu aprender a me organizar, que nem vc...
    Já te contei que tenho uma tia que mora em uma cidadezinha do ladinho de Málaga(sempre esqueço o nome), e que vive me esperando pra tomar banho no Mediterrâneo???

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  4. Gisela... o que você tá fazendo ainda aqui???? Já para Andaluzia...
    E Málaga, ahhh, cidade natal do Picasso e do ANTONIO BANDERAS! Putz, cê tá feita!

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  5. tsc, esqueci de contar que minha bisavó paterna era uma cigana ( mas não roubava criancinha não, juro!)de Málaga, que veio pro Brasil-Vitória pra ser mais específica- e criou uma colônia de pescadores.Era uma mulher dessas bem brabas,que andava com um chicote na cintura e mandava e desmandava na "homarada" toda, que morria de medo da velha,hahaha...
    Então, mas só contei isso pra vc ver que sou quase quase, praticamente prima do Banderas, ai ai...

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  6. Miiinina! Todo cigano é parente!!! É.. o Banderas é CIGANO também, sabia??? Quando você já estiver introduzida no clã, lá em Málaga, não se esqueça de apresentar a sua super-ultra amiga Silvia ao seu primo ilustre!

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  7. hahahahaha...pode deixar que te apresento sim!!!
    Imagina que nojenta eu seria, quase-prima de ator famoso, metida a famosa, querendo entrar de VIP nas festas e dizendo pros seguranças que tentassem me barrar na porta: Você sabe com quem está falando?
    hehehehe...é melhor eu continuar assim, metida a besta, o mico é beeeem menor, não acha? hahahaha...

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