quinta-feira, 30 de julho de 2009

Espanha a 50 euros por dia - Parte 3

ONDE FICAR NA ESPANHA

O Hostal - uma espécie de pensão brasileira - é a hospedagem frequente e por excelência para quem quer dormir gastando pouco na Espanha. Geralmente está localizado em prédios antigos, com elevador (quando há) portando aquelas gradinhas de ferro quadriculadas que a gente tem que abrir ou fechar com as próprias mãos. Assim como a rede de albergues, os hostales podem oferecer banheiros no quarto ou não. Quase sempre sem café da manhã que - em 90% dos casos, vantagem - estão incluídos nos albergues. O grande diferencial de um (bom, que fique claro) hostal é o atendimento. É como se a gente ficasse hospedado na casa de amigos. A recepção é na sala (literalmente) e o dono quase sempre está ali para receber você. Detalhe: a maioria não aceita cartões de crédito.


Foto: Bar Tio Pepe, em Barcelona. Lugar típico para "ir de tapas". (Raul Mattar)

HOSPEDAGEM ECONÔMICA NA ESPANHA

Na Espanha - assim como em Portugal e na Grécia – os seus 50 euros devem render mais. A oferta de hospedagem econômica é ampla. E quando se consegue dormir decentemente pagando pouco, sobra cascalho para desfrutar da boa (e também barata) comida do país. Em Madri, o Hostal las Murallas pode ser um excelente custo benefício para um casal. O quarto duplo está a partir de 38 euros (19 por pessoa) com televisão e banheiro privado. Sem café da manhã. Os quartos são bem simples, mas o hostal está muito bem localizado, a 100 metros da Gran Via, ao lado da Puerta del Sol. E os três museus - Prado, Thyssen y Reina Sofía - ficam a 15 minutos andando dali. Para tirar a barriga da miséria pague apenas 8,50 euros para dormir (com café da manhã incluído) no quarto coletivo do Albergue Juvenil Santa Cruz de Marcenado (c/ Santa Cruz de Marcenado, 28. Tel.: 915.474.532). É bem impessoal, não tem cozinha para o hóspede, mas oferece um microondas.

Outra pechincha na capital espanhola é o Barbieri International Hostel . O quarto de casal sai a 32 euros (16 por pessoa), com café da manhã! Mas os banheiros são no corredor. E eles oferecem uma novidade: a tarifa diurna de 5 euros para quem quer só tomar um banho, usar a cozinha e deixar as malas na sala de bagagem. Para subir um pouco na vida sem ter que apelar para um concierge conheça o Hostal Victoria. Apesar da decoração cafonilda, os quartos - reformados - têm toalhas brancas, ar condicionado, frigobar, TV e estão de frente para a Puerta del Sol. A diária está a partir de 40 euros para o casal (20 por pessoa). Aceita cartão de crédito, o que é raro nesse tipo de hospedagem.

A 50 metros da Casa Batló de Gaudí e a cinco minutos caminhando do calçadão Las Ramblas está o Centric Point Hostel, em Barcelona.  Excelente localização. A diária nos dormitórios sai a partir de 16,90 euros com um delicioso café da manhã. O staff não é dos mais amáveis, mas a excelente localização e o ambiente agradável farão você esquecer qualquer grunhido na recepção. Para ficar no Bairro Gótico, invista na simples e honesta Pensão Alamar. Quarto duplo a partir de 36 euros (18 por pessoa) e oferecem, sem cobrar nenhum adicional, berço para crianças até dois anos. Não tem café da manhã, mas a cozinha está à disposição dos hóspedes. Banheiro no corredor, o que pode ser um baita inconveniente para quem viaja com o bacuri. Mas por uma ou duas noites... quem sabe.

O Center Hostel Valencia pode ser uma boa e econômica opção para se hospedar quando você for conhecer a Cidade das Artes e da Ciência, em Valência. Fica no centro, ao lado da Plaza de la Virgen. O café da manhã está incluído e oferece internet wi-fi grátis. Tarifas a partir de 16 euros por pessoa, em quartos coletivos. Não tem habitación doble. Outra opção é o Hostal Moratín, também no centro da cidade. O quarto duplo sai a partir de 40 euros (20 por pessoa) com chuveiro. O café da manhã continental custa 2,50 euros. Quando for conhecer o Alhambra, em Granada, hospede-se numa típica casa Andaluza. O Hostal Landazuri têm quartos cômodos, com banheiro e uma linda vista para o monumento. A partir de 40 euros, o casal. Café da manhã a partir de 2,50 euros.

ONDE COMER NA ESPANHA

As tortillas - uma espécie de omelete com batatas - está para a Espanha assim como a coxinha de frango está para o Brasil. São populares, saborosas e podem ser encontradas em bares, restaurantes e nos supermercados. Existem paellas (o tradicional prato temperado com açafrão que geralmente inclui - com algumas variações - arroz, frutos do mar e legumes) por todos os cantos e preços. Nem sempre a mais cara será a melhor. Por uma média de 9 euros você encontra paellas individuais recheadas e decentes. Algumas porções são tão grandes que às vezes servem duas pessoas.


Foto: Café da manhã em uma panadería espanhola. (Raul Mattar)


Para desfrutar do modo mais espanhol de beliscar comidinhas, vá de tapas - o petisco espanhol. Existem tantas variedades, que eu não saberia mencionar nem 30% aqui. Os tira-gostos vão das nossas conhecidas azeitonas, passam pelo tradicional jamón ibérico e chegam a elaboradas receitas como a banderillas, que levam presunto, salmão, cogumelos, camarão, aspargos, ovos de codorna, batatinhas, kani e anchova. Tudo acompanhado por uma cremosa pasta alho e óleo.

Em diferentes cidades da Espanha você encontra a cadeia de restaurante FrescCo. O buffet completa inclui saladas, prato quentes, sobremesas (geralmente frutas das estação) e bebida (que pode ser água, refrigerante, chopp ou vinho) por módicos 8,50 euros por pessoa até às 18h. Depois, custa 9,95 euros. Todos os restaurantes são novos e aconchegantes, apesar do burburinho (vivem lotados!) na hora das refeições! Você encontra a rede em Madri, Barcelona, Sevilha, Bilbao, Valência, Granada, Salamanca, entre outros lugares. Consulte o site deles para saber onde há um restaurante mais próximo de você.

Na capital espanhola você também pode conhecer a Taberna Alhambra. A Paella Mixta está 7,00 euros. Ambiente típico. A três quadras da Puerta del Sol. Em Valência experimente a tradicional cozinha mediterrânea na rede Neco Buffet, no estilo do FrescCo. Comida à vontade, com diversas sobremesas a 9,85 euros por pessoa durante a semana, por exemplo. No sábado e domingo vai para 12,90 euros. Não inclui bebidas. Ah, e para seu churros com chocolate quente se aconchegue no El Gran Café,  no número 09 da rua Carrer d’Avinyo, no centro histórico de Barcelona. Para comer lá é caro, mas dois churrinhos não vão matar ninguém. O edifício, todo em arte noveau, é de 1920. Ambiente sofisticado para você se lembrar de que também é filho de Deus.

SESSÃO MÃO-DE-VACA-MUQUIRANA

Nos supermercados Al Campo  procure pelo produtos Primer Precio. Estão por todas as gôndolas. São 40% mais baratos que os concorrentes, com a mesma qualidade. Entre no site para ver onde há uma filial mais próxima de você. Pizzas médias, por exemplo, a 2,30 euros. Existem massas prontas (ravióli, capeletti e talhatelli) com vários temperos (ricota, pesto, carne ou quatro queijos) a partir de 1,85 euros.

MOMENTO EXTRAVAGÂNCIA

Programe-se para ir a Girona experimentar o menu degustação do estreladíssimo-top-mega-über restaurante El Bulli, do chef catalão Ferrán Adrià. O menu degustação está 220 euros. Só que para este ano,
lo siento. Não há mais lugares. Mas fique atento: em outubro dezembro eles devem abrir as reservas para o ano que vem.

Ó QUE CURIOSO


A expressão “sangue azul” surgiu na Espanha na época que o país foi invadido pelos árabes. A nobreza percebeu que suas veias eram mais azuladas que a de outros povos como os mouros, por exemplo. Por isso, hoje em dia associamos o sangue azul à gente de “linhagem”.

UM FILME PARA INSPIRAR

Volver (2006), de Pedro Almodóvar.



ESPANHA LEMBRA

Guernica, churros, notívagos, Joan Miró, tinto verano, ¿por qué no te callas?, nossa família.

MELHOR ÉPOCA PARA IR

Há festa o ano inteiro nas mais diferentes cidades espanholas. Se puder, evite o alto verão, principalmente na Andaluzia, onde os termômetros batem facilmente a casa dos 40 graus. Na Semana Santa, Sevilha enlouquece (e os preços ficam absurdos) com a Feria de Abril. O festival Las Fallas, de Valência, acontecem em março. O inverno não é muito rigoroso, mas lembrando que a Espanha tem a Sierra Nevada. Dependendo do seu destino, coloque bastante roupa de frio na mala. Para garantir melhores preços vá em fevereiro, março, outubro e novembro.

Site do país: www.spain.info
Embaixada brasileira: Calle Fernando El Santo, nº 06 (3491) 700-4650 – www.brasil.es

NA SEMANA QUE VEM DESEMBARCAMOS NA FRANÇA. VOILÁ!

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terça-feira, 28 de julho de 2009

Espanha a 50 euros por dia - Parte 2

+ 15 DICAS DA ESPANHA

1. Na Plaza Mayor, em Madri, busque a Oficina Municipal de Turismo. Aberta todos os dias, das 9h30 às 20h30, a oficina oferece folhetos e revistas gratuitamente. A Es Madrid Magazine  traz a programação completa da cidade. Para ter uma visão completa da vida cultural na capital espanhola adquira o Guia del Ócio vendido por 1 euro. Caso não queira – ou não possa – aproveitar os dias e horários gratuitos dos principais museus de Madri compre a Tarjeta Paseo del Arte. Custa 14,40 euros e dá direito a entrar no Prado, Reina Sofia e Thyssen-Bornemisza. O cartão pode ser adquirido na bilheteria dos museus. Para fechar seu circuito cultural o Museo de la Real Academia de Bellas Artes - onde Picasso e Dalí estudaram – é gratuito às quartas-feiras.


Foto: Plaza Mayor, em Madri. (Raul Mattar)

2. Com tempo, descubra a Rota Cervantina. É o maior corredor ecoturístico e cultural do país. A rota - embasada na obra maestra de Miguel de Cervantes, Don Quixote de La Mancha - atravessa 144 municípios que teriam sido caminhos históricos, planícies áridas, veredas e estações pecuárias utilizadas por Don Quixote, o Cavaleiro da Triste Figura. A 110 quilômetros de Toledo, está Campo de Criptana. A cidade abriga o mais famoso e preservado conjunto de moinhos do país, aqueles que, nos delírios de Quixote, eram gigantes querendo briga. A quase 20 quilômetros dali, está El Toboso, lugar onde nasceu Dulcinéia, a musa inspiradora de Don Quixote. Visite o Museo-Casa Dulcinea del Toboso. Guarda móveis e utensílios do século 16 e no pátio abriga uma das maiores prensas de azeite do país, com uma viga de 15 metros de altura.
Gratuito aos sábados e domingos.


Foto: Real Alcázar de Sevilha. (Matraca's Image Bank)

3. Percorra Triana, o bairro do flamenco em Sevilla. Fica do outro lado do rio Guadalquivir. O local é perfeito para “ir de tapas” - expressão indispensável na Andaluzia. Faz uma referência à desenvoltura dos espanhóis que vão parando de bar em bar, mordiscando pratinhos de petiscos, acompanhados por cerveja, vinho ou tinto verano. As tapas geralmente vêm em porções generosas,
custam pouco e valem por uma refeição.

4. Ali mesmo, na Andaluzia, faça das tripas coração para conhecer Ronda, uma cidade encravada ao pé de um desfiladeiro de 150 metros de altura. A Plaza de Toros mais antiga da Espanha está aqui, mas a “arquitetura” natural impacta tanto que será uma das mais belas recordações (e fotos) do país. Além do penhasco a seus pés a cada esquina, o centro histórico é mouro e medieval.

5. Para fazer câmbio, o Banco Santander -  dois por quarteirão - geralmente oferece a melhor cotação. Mesmo assim, pesquise antes em algumas casas especializadas. Em tempo: o horário dos bancos na Espanha é bem diferenciado do resto da Europa. Abrem por volta das 8h30/9h e fecham às 14h ou 14h30. E funcionam no sábado, até às 13h ou 13h30.

6. A Ibéria é a principal companhia aérea da Espanha. Para fazer vôos internos consulte também a Spanair ou a Vueling. Compras feitas com antecedência garantem melhores tarifas. Nas companhias low costs verifique as taxas adicionais, se cobram por bagagem e em qual aeroporto vão descer.

7. As touradas – quer queira quer não – seguem entusiasmando gerações e gerações de espanhóis. Ainda que a apresentação tenha sido alvo cada vez maior dos ativistas pró-touro, as Corridas começam a partir de maio e vão até outubro. Arena cheia, sempre. Para tirar suas próprias conclusões, vá assistir uma ou visite Pamplona, durante o Sanfirmines – festa em que os touros saem em disparada. Na frente deles, espanhóis aficionados. “Um autêntico drama religioso”, nas palavras do poeta granadino Federico García Lorca.

8. Num bate-volta partindo de Barcelona, vá a Figueras onde está a Casa-Museu Salvador Dalí, dedicada ao genial pintor surrealista. O edifício, desenhado pelo próprio Dalí, é um evento a parte. O ingresso custa 10 euros. Na sua conta dos 50 euros por dia, é uma visitinha que pode ficar cara. Mas se você se controlar e não comer nenhuma paella naqueles restaurantes turistésimos do La Rambla, vai sobrar dim-dim. Para isso, consulte o
Barcelona Grátis, um site que junta tudo o que a cidade pode oferecer nos próximos dias gratuitamente!

9. A rede ferroviária espanhola é um dos patrimônios da Espanha. Os rápidos (e caros!) Talgo e AVE levam você aos principais destinos. Mas há outras opções para quem quiser o jeito europeu de viajar - usando os trens regionais. Mais baratos, porém mais lentos. Fuce o site da Renfe.

10. Caso seu destino seja o norte da Espanha desfrute seu momento aposentado na Cantábria. A 30 quilômetros de Santander está Santillana del Mar, uma antiga vila medieval, com torres e palácios renascentistas. A dois quilômetros de Santillana, um luxo: as Cuevas de Altamira, uma importante amostra de arte rupestre. As pinturas têm em torno de 14 mil anos e são Patrimônio da Humanidad. O acesso às cuevas está fechado. Mas é possível visitar o Museo de Altamira,  que traz reproduções dos desenhos pictóricos, incluindo o famoso bisonte (ou bisão). A entrada custa 2,40 euros.
Gratuito aos sábados, a partir das 14h30 e aos domingos – dia inteiro.

11. Seu momento “tô podendo”: a marca espanhola Zara – que custa os olhos da cara aqui no Brasil – tem precinho de C&A na Espanha. Querendo ter seu momento extravagância (qualquer comprinha numa viagem com valores restritos é uma extravgância), encha a mala com modelitos que só chegarão aqui uma temporada depois e pelo dobro do preço.

12. Se em toda Espanha você tiver que escolher apenas um mercadão para visitar, fique com o La Boquería, em Barcelona. Está no coração do calçadão La Rambla. É um bonito edifício modernista cheio de cores e sabores, como manda o figurino em qualquer estabelecimento do gênero.
Não paga nada para entrar e é cheio de frutinhas cheirosas por preços muy convenientes. Já o mercado de pulgas Encants Vells funciona nas segundas, quartas, sextas e sábados. De graça, claro.


Foto: Parc Güell, em Barcelona. (Raul Mattar)

13. Em qualquer café decente prove o churros com chocolate. Vai custar pouco e nada pode ser tão típico e aconchegante por aqui.

14. Para bolos e doces procure as pastelerías. Se quer a melhor variedade de frios e boa oferta de queijos busque uma charcutería. Para conhecer uma das maiores lojas de departamentos da Europa, o El Corte Inglés - com filiais espalhadas por todo o país - pegue seu mapinha da Oficina de Turismo. Eles vêm cheios de pontinhos verdes (cor da logomarca da empresa), indicando onde estão localizadas as unidades.

15. Inclua Málaga, se possível. Terra natal de Pablo Picasso, o maior artista que a humanidade conheceu. (Opinião minha, posso?). O Museo Picasso está na casa onde o pintor viveu. Único e intransferível.

MUITO BOM: comida boa e barata, em qualquer cidade a qualquer hora. E garrafa de vinho da principal região vinícola da Espanha - La Rioja - por 2 euros nos supermercados.

MUITO CHATO: os passes das grandes cidades - (o Madrid Card, por exemplo, custa 42 euros por 1 dia) que incluem visitação em vários museus e transporte público gratuito - são caros demais para o nosso padrão. Porque ninguém consegue visitar três museus, dois palácios e andar para cima e para baixo de ônibus e metrô em 24 horas.

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Espanha - Parte 1

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Espanha a 50 euros por dia - Parte 1


Foto: Hemisfèric, na Cidade das Artes e da Ciência, em Valência. (Javier Yaya)

Se você gosta de presunto com marca, selo de origem e divisão por estrelas seu lugar é aqui.
A Espanha é plural. Consegue misturar num espaço único Pedro Almodóvar e Antoní Gaudí. Mesmo que você não admire nenhum dos dois, não se preocupe. Há outros loucos fazendo história no país. Ferrán Adrià, por exemplo. O badalado chef catalão brinca de fazer espuminha de abacate na chamada cozinha molecular.

Don Quixote e seus devaneios são fichinha perto do que se considera contemporâneo por estas paragens. A Espanha é moderna, progressista, mas cheia de tradições. Festejos populares reforçam todos os nossos padrões estabelecidos em relação à vida espanhola. Castanholas, toureiros, procissões e dança flamenca inundam as calles em dias de festa.

Depois de 30 anos de ditadura, o país se vê invariavelmente dividido entre arcaicas pelejas separatistas e arquitetura de ponta. Nem o pior atentado terrorista da história espanhola, em março de 2004 em Madri, freou a força e a gana de se superar. Uma viagem para cá deve ser feita em etapas. A Espanha é o terceiro maior país da Europa, um dos mais baratos do continente e - depois de Portugal - o mais transitável para um turista brasileiro (quando ele não é barrado na imigração).

No meio de tantas conquistas e reconquistas foi dominada durante 800 anos pelos mouros. Está entre tapas e cañas, ilhas com azul-turquesa-esverdeado-quase-transparente, areias negras e parques nacionais. Tem até um longo caminho - o de Santiago - para ser feito a pé, de carro ou de bicicleta. Vinho, sangria, tinto verano, ou xerez. Qualquer um deles servirá para embalar sua paella.

LA SIESTA E SEUS IDIOMAS

A siesta é o maior patrimônio zen-erudito-cultural da Espanha. É uma espécie de meditação ibérica que ocorre sempre depois do almoço e vai até umas cinco da tarde. Ou seja, depois de forrar a pança os espanhóis ficam em um estado sonolento – nem alfa, nem ômega – em que se dão o direito de dormir ou descansar por, pelo menos, uma horinha antes de voltar ao batente.

Nem todas as lojas e escritórios fecham no período de siesta como antigamente, mas é tão cultural tirar essa sonequinha no meio da tarde que boa parte do comércio baixa as portas das 14h às 17h. Os espanhóis adotaram esta tradição como uma forma prática de lidar com o calor intenso do verão europeu. Eu, como notívaga assumida, não perco por nada esse momento yoga-de-ser do espanhol.

O almoço também não é servido muito antes das 14h. Não se assuste se chegar a qualquer restaurante por volta do meio-dia e encontrar as portas fechadas. Para piorar – ou deixar mais excitante – a Espanha tem outros três idiomas oficiais: catalão (uma mistura de espanhol com francês), o galego (bem parecidinho com o português) e o euskara (só um estudioso de hieróglifos para decifrar).

Este último acho que é uma mistura de russo com alemão mais um dialeto próprio. Na verdade nunca sei. Mas sei que é impenetrável. Não existe diferença entre castelhano e español. É o mesmo idioma, o que muda são os regionalismos. Assim, como o português de Portugal e o português do Brasil.

O BARATO DA ESPANHA

MADRI - É a maior cidade do país. Possui dois dos principais museus da Europa, o Prado (com um dos mais importantes acervos do mundo em obras notáveis como As Meninas, de Velázquez) e o Reina Sofía. No primeiro, o ingresso são 6 euros, com entrada grátis aos domingos. O Reina Sofía - onde está a obra Guernica de Picasso - também cobra 6 euros, mas é gratuito no sábado à tarde e no domingo pela manhã. A Puerta del Sol é seu ponto de partida para caminhadas. É uma enorme área comercial com bom acesso ao transporte público. Mas a partir dela é possível conhecer, a pé, boa parte das atrações da cidade. Aqui tire sua foto cartão-postal ao lado da mais famosa estátua da cidade: el oso y el madroño. Circule pela Gran Via - uma das principais avenidas da capital. No número 72 está uma das unidades do Museu del Jamón. Uma mistura de restaurante e mercearia. Não paga nada para entrar, tem sempre um pratinho de degustação e você vai conhecer a maior variedade possível de presunto, ops, jamón que existe. Nas manhãs de domingo há o fervilhante mercado de pulgas El Rastro para investir boa parte do seu dia sem culpa. Já na Plaza Mayor - ex palco da inquisição e touradas - sinta-se em casa. Ponto de encontro de viajantes e madrilenhos. Site da cidade: www.esmadrid.org

BARCELONA - A maior herança do arquiteto Antoni Gaudi, o Parc Güell, é de graça. Um emaranhado de curvas que se misturam com caquinhos de azulejos. Desenhos que formam os mais belos mosaicos da arte contemporânea. Na igreja Sagrada Família (também de Gaudí) - um grande castelo de areia construído no meio da cidade - paga para entrar. Mas é do lado de fora, com uma certa distância, que se vê a inusitada e conflitante arquitetura. Sem falar no La Rambla - o principal calçadão da cidade - e o Bairro Gótico para se perder e andar, que é sempre grátis e desbravador. O Barcelona Card dá direito a transporte público ilimitado, entrada gratuita em vários museus e descontos em restaurantes. São 26 euros por dois dias ou 30 euros por três dias. Analise atentamente o que pretende fazer na cidade para saber se vale a pena ou não comprar um desses. Site da cidade: www.barcelonaturisme.com.

VALÊNCIA - É a expressão máxima da arquitetura futurista e foi cenário do mais recente filme de Almodóvar. Valência - da paella valenciana - abriga a Cidade das Artes e da Ciência, um complexo extraordinário que engloba museu, planetário e o maior aquário da Europa. O local, antes degradado, se transformou na região mais badalada da cidade. Foi um levante para disputar os visitantes com Sevilha - totalmente regenerada depois da Exposição Universal de 1992. O ingresso para conhecer o Hemisfèric (um edifício com teto ovóide com mais de 100 metros de longitude especialmente criado para projeções) e o Museu das Ciências custa 11,20 euros. Apesar do preço não ser, assim, tão econômico para o nosso modelo de viagem 5.0, é o maior barato de Valência. Site da cidade: www.turisvalencia.es

SEVILHA - Moura, dourada e às margens de um rio de nome complicado, o Guadalquivir, a cidade traz em cada esquina sete séculos de domínio árabe. A catedral gótica - que já foi mesquita - é uma das maiores construções cristãs. É daquele tipo de monumento em que se paga para entrar (7,50 euros), mas que do lado de fora (gratuito para babar) rendem muitos mais "oóóóhhhhhs" do que lá dentro. A Torre del Oro, entrada a 2 euros e gratuita às terças-feiras, foi erguida pelos árabes. Originariamente era uma das torres que integravam o muro fortificado de Sevilha. Sua construção é do século 13. É hoje a sede do Museu Naval. No bairro de Santa Cruz, um antigo quarteirão judeu, o passeio é perder-se. Nada restou da antiga comunidade judaica. Tudo aqui lembra castanhola, tapas e tablaos. Site da cidade: www.turismosevilla.org

GRANADA - Fique de joelhos. Em Granada está um dos monumentos mais visitados da Europa, o Alhambra. Uma fortaleza que envolve um rico complexo palaciano que inclui o Alcazaba (o forte), o Alcázar (o palácio), o Generalife (os jardins) e a grande muralha. Exibe os mais famosos elementos da arquitectura islâmica no país. Ingresso a 12 euros. Vá, nem que for para depois comer McDonald's três dias. O Alhambra restringe o número de pessoas por dia. Chegue cedo ou compre seu ingresso pela internet (www.alhambra-tickets.es). A reserva on-line custa 1 euro a mais. Será sua melhor economia na cidade: não perde-se tempo. Site: www.granada.tur


Foto: Mesquita de Córdoba. (Divulgação)


CÓRDOBA - A 2h de Madri pelo trem AVE, Córdoba tem um centrinho histórico pequeno e fácil de ser derriçado. O ônibus nº 03 para nas estações de trem e ônibus e vai até à Plaza Tendillas, perto da mesquita - o principal atrativo da cidade. A Mesquita de Córdoba já foi o maior templo do mundo islâmico. É uma mistura dos estilos bizantino e gótico e converteu-se em uma das mais imponentes construções da Espanha. Para entrar paga-se 8 euros. Mas durante as missas - todos os dias, às 8h30 e às 10h - a entrada é gratuita. Por ali está o Alcázar de los Reyes Cristianos, construído no século 14. Já foi sede da inquisição espanhola e residência dos reis católicos Fernando e Isabel. Aqui, recepcionaram Cristóvão Colombo antes da partida para a descoberta do novo mundo. Entrada a 4 euros. Gratuito às sextas-feiras. Site da cidade: www.turismodecordoba.org

BILBAO - Se eu fosse você pegaria um vôo low cost a partir de Madri ou Barcelona e desceria em Bilbao só para ver o Museu Guggenheim. Um bate-volta que vai ter lá seu custo. Mas a experiência na volta, não tem preço. Site da cidade: www.visitbilbao.info

ILHAS CANÁRIAS - Todos os guias falam com o maior empenho das Baleares. Mas muitas vezes se esquecem das Canárias, o arquipélago espanhol ubicado a pouco mais de 100 quilômetros do Marrocos e território mais próximo da Madeira, as ilhas portuguesas. A falar de viagem econômica, Lanzarote, Tenerife e Las Palmas são o paraíso na terra. Saramago escolheu a primeira para viver. Em Tenerife há a maior montanha da Espanha, o vulcão Teide. E em Las Palmas (fiz metrado aqui lá lá lá lá!), corra para o bairro de Vegueta – o quarteirão mais antigo da cidade. declarado Patrimônio Mundial. Em qualquer uma delas tem praia - com direito a escolher cor de areia,  cascalho e balanço do mar - sempre de graça. Site oficial: www.turismodecanarias.com

PARA FUGIR DO ÓBVIO

Num raio de 200 quilômetros de Madri estão cinco cidades Patrimônio Histórico da Humanidade. Toledo, Segóvia, Ávila, Cuenca e Salamanca. A medieval Toledo - às margens do Rio Tejo - por exemplo, está a 60 km – a meia hora de trem. Não pegue excursão. Na estação Atocha dá para comprar os bilhetes por 6 euros, ida e volta. A Santa Catedral Primada de Toledo demorou 250 anos para ficar pronta e a sacristia abriga obras de El Greco e Tristán. Entrada gratuita antes das 12h, depois das 16h e aos domingos. Fora disso, o ingresso custa 5 euros. Já Segóvia, a 1h30 
30 minutos de Madri com o trem rápido, merece um dia inteiro de visita. A cidade preserva o mais alto aqueduto do Império Romano, com 29 metros de altura. Entre no site oficial da Renfe para saber informações e horários dos trens.

SEM MARCAR TOUCA

Quem está acostumado a viajar de carona, fique atento: nas autopistas espanholas é ilegal dar o dedão.

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Amanhã: Espanha barata

Nesta terça-feira damos início à primeira parte do nosso material sobre Espanha econômica. A reportagem faz parte da série Europa a 50 euros por dia. Como a Espanha já foi tema váááárias vezes por aqui é bem capaz que você reconheça alguma dica ou texto já publicados. Por isso mesmo passe pelo blog e não deixe de dar seu pitaco, dica ou palpite! Inté.

Porto Seguro a partir de 10x de R$ 57,00

Tá tudo em promoção. O destino mais procurado do Brasil na última década volta a oferecer uma super oferta. Cada parcela equivale, por exemplo, a um almoço para casal no shopping. Por R$ 57,00 por mês - avião e hotel com café da manhã incluídos - você visita um dos principais roteiros da Costa do Descobrimento. De quebra conhece Arraial D'Ajuda e dá uma voltinha no quadrado de Trancoso, a um pulo de balsa e disposição. Os preços são para saídas de São Paulo. Há várias datas de partida, inclusive 05/09, vespera do feriadão. A oferta é da CVC.

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Procura-se sol. Ofereço boa recompensa.

Há 10 dias estamos assim:



E a previsão para esta semana é "bem" animadora:



Caso eu entre em greve, vocês já sabem o motivo.


Foto: vista da janela do meu apartamento hoje de manhã. (Matraca´s Image Bank)


domingo, 26 de julho de 2009

Na GOL: Curitiba-Buenos Aires a partir de R$ 112,00


Foto: Bairro Abasto, em Buenos Aires. (Raul Mattar)

É quase o mesmo preço de uma passagem de ônibus Curitiba-Londrina (distância de 380 quilômetros). Está na GOL. Em agosto - pesquisei de 21 a 25/08 - a opção Curitiba-Buenos Aires aparece a partir de R$ 112,00 (mais taxas). O valor é por trecho.

Para quem ainda está preocupado com a gripe porcina, leia a revista Veja desta semana. Ela traz um dado do Ministério da saúde que alerta: a gripe comum mata muito mais do que o vírus H1N1. Até agora são 33 mortes confirmadas no Brasil por causa da nova doença. No mesmo período do ano passado, 4500 pessoas morreram por causa da gripe comum e suas complicações.

Detodosmodo, lave várias vezes a mão ao dia e use o álcool gel, quando necessário. A gripe suína ainda vai entrar para a história da humanidade como aquela que provocou o maior saneamento básico na saúde pública.


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